Ávido por justiça, o frentista Djalma da Hora da Conceição, 45 anos, procurou ontem a Corregedoria da Polícia Militar para denunciar o assassinato de seu filho, o estudante Djalma da Hora da Conceição Júnior, 18 anos. O frentista acusa policiais da 52ª Companhia Independente de sequestrarem o estudante no último dia 10, numa operação em Portão, em Lauro de Freitas.
Segundo Djalma, seu filho foi jogado no porta-malas do Palio Weekend da PM, de placa JJQ-7293, e encontrado morto cinco dias depois com sinais de tortura na Via Parafuso. Segundo a Polícia Militar, o veículo era conduzido por um sargento e dois soldados.
Após deixar a Corregedoria da PM, Djalma seguiu para o edifício-sede da Polícia Civil, na Piedade, onde era esperado pela delegada Isabel Alice Jesus de Pinho, diretora do Departamento de Crimes contra a Vida (DCCV), que se comprometeu a intensificar as investigações.
Ainda ontem, o frentista esteve no Ministério Público Estadual, que também acompanhará o caso.
SEQUESTRO Segundo Djalma, por volta das 23h do dia 10 de fevereiro, o filho saiu de casa, na Rua Queira Deus, em Portão, para levar a namorada até a casa dela, localizada a poucos metros. No retorno, parou defronte a uma área de galpões, conhecida como Malibu, onde pediu água ao vigilante.
Nesse momento, acrescentou ele, dois carros da 52ª CIMP chegaram na rua atirando para o alto. Para se proteger, o estudante correu em direção aos galpões, onde também se escondeu uma jovem assustada com os tiros.
Instantes depois, policiais encontraram a joveme passaram a revistá-la - ocasião em que o estudante teria sido visto pelos PMs deixando o galpão. “Eles (os policiais) liberaram a moça e pegaram meu filho. O vigilante do local chegou a dizer: ‘Pra que isso? O rapaz estava só bebendo água’. Mas eles ignoraram”, contou o pai.
O filho dele teria sido jogado no porta-malas do Palio Weekend da PM, o mesmo veículo que cerca de 15 minutos depois retornou à região dos galpões para, segundo o frentista, intimidar uma das testemunhas . “Os policiais
disseram ao vigilante: ‘Você não viu nada’”, contou.
CORPO Antes mesmo de a viatura deixar o bairro em disparada, populares já tinham anotado a placa do veículo e comunicado o sequestro ao frentista, que no dia seguinte foi à 52ª Companhia, em Lauro de Freitas. Ele prestou queixa também na 23ª DP (Lauro de Freitas), 23ª DP (Itinga) e 26ª DP (Vila de Abrantes).
No dia 15 de fevereiro, o corpo do estudante foi encontrado em estado avançado de decomposição, com uma corda no pescoço e com apenas um dente. No dia 16, o pai esteve no Instituto Médico-legal Nina Rodrigues, onde reconheceu o corpo através das roupas e de um pulseira no pé direito. A análise das impressões digitais confirmou.
Fonte: Correio da Bahia