Apesar da crise diplomática entre o Brasil e a Espanha, gerada por conta de incidentes na imigração, a recíproca não é verdadeira no quesito interesse dos hispânicos em empreendimentos brasileiros. Na Bahia, somente na Costa dos Coqueiros, o volume de investimentos espanhóis anunciado até o ano de 2014 já supera os R$3,4 bilhões e ultrapassa o valor dos projetos portugueses (R$754,4 milhões). Dados da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur) revelam que, dos 16 empreendimentos previstos no Litoral Norte, oito serão construídos por empresas espanholas. Além do turismo, energias renováveis e infra-estrutura, incluindo estradas e portos, também são foco do empresariado espanhol na Bahia.
Dentre os investimentos espanhóis no Litoral Norte, o empreendimento do grupo Trusam, que engloba duas áreas na Praia do Forte (ao norte do complexo Iberostar e ao sul do EcoResort), merece destaque. A meta é a construção de um dos mais modernos complexos turísticos do Brasil, que deve resultar em investimentos de mais de US$1,3 bilhão, cerca de R$2,2 bilhões. O projeto, que ainda está em fase de planejamento, prevê a instalação de nove hotéis, vila e campo de golfe. Segundo a Setur, o empreendimento será construído em duas etapas e deve gerar, ao todo, 7,5 mil empregos diretos. A primeira fase está prevista para ser concluída em dezembro deste ano e a segunda em janeiro de 2014.
Clima favorável, com sol o ano inteiro; preços de terrenos muito atraentes; supervalorização do euro perante o real e uma razoável infra-estrutura também fizeram com que o GrupAce investisse na Bahia. O grupo hispânico adquiriu 13 quilômetros de terras litorâneas, na região de Baixios, distante 135 quilômetros de Salvador. Situada entre Sauípe e Mangue Seco, a área promete abrigar um dos maiores investimentos hoteleiros já realizados na América Latina. A previsão é que sejam construídos quatro mil apartamentos e cinco campos de golfe, com investimento estimado em US$300 milhões, ou seja, R$510 milhões. Apesar de ainda estar em fase de planejamento, a previsão de conclusão das obras é para dezembro de 2009.
Depois do megaresort implantado na Praia do Forte, a rede Iberostar já anunciou a construção de mais dois empreendimentos hoteleiros na mesma região. “É na Bahia onde estamos colocando os nossos maiores investimentos”, diz o diretor comercial do grupo no Brasil, Orlando Giglio, explicando que o Iberostar Bahia é “apenas” o mais simples de um ambicioso projeto, que engloba três empreendimentos, orçado em US$250 milhões. “No início de outubro, vamos inaugurar o Iberostar Praia do Forte, com valor estimado de US$80 milhões. Enquadrado na categoria premium, ele terá 536 apartamentos. Já o terceiro empreendimento, da categoria grand, com 300 apartamentos, ficará pronto em 2009”, completa, adiantando que o próximo investimento do grupo na Bahia será na capital baiana, no bairro de Stela Maris.
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Construção civil desperta interesse
Mas, quem está pensando que os espanhóis só têm planos de investimentos para a Bahia na área de turismo está enganado. De acordo com o coordenador geral do Escritório de Revitalização do Comércio (ERC), Marcos Cidreira, os empresários hispânicos estão cada vez mais consolidados no setor imobiliário. “A construtora Iberkon, pertencente ao grupo espanhol Porto de Araxá, por exemplo, em menos de dois anos já construiu e entregou o Maison Graça, na Rua Humberto de Campos. Agora, ela está construindo mais empreendimentos residenciais em Brotas”, diz ele, complementando que a Iberkon também adquiriu uma área de 27 milhões de metros quadrados na Ilha de Tinharé, em Morro de São Paulo, para a construção de um megacomplexo turístico, incluindo hotelaria e segunda residência.
Segundo Cidreira, outra companhia espanhola do setor de construção civil que promete grandes frutos em território baiano é o grupo Copasa, que desembarcou na Bahia no final de 2007, através da subsidiária Syene. “Além do complexo multiuso, localizado nas proximidades do Salvador Shopping, com investimentos de R$200 milhões, a companhia comprou uma ilha na Baía de Todos os Santos”, pontua. Sem revelar detalhes, ele garante que grupos espanhóis estão interessados em fazer parte do projeto de revitalização de áreas portuárias, que vai transformar os armazéns I e II do Porto de Salvador em um novo Terminal Marítimo de Passageiros. “A área já foi liberada e em breve acontecerá a licitação internacional”, finaliza, dizendo que esses investimentos, além de gerar muitos empregos, geram também arrecadação de impostos para o estado.
Fonte: Correio da Bahia